sábado, 29 de agosto de 2020

A cidade de Santa Mercedes é o único município sem casos de Covid-19


 

Santa Mercedes: único município do Estado livre da Covid-19

Com seis meses do primeiro caso registrado no Estado e quase cinco do primeiro em Prudente, a Secretaria Municipal de Saúde credita sucesso às políticas de saúde implantadas desde 2017.
Na quarta-feira, o governo de São Paulo lembrou da data marcante de seis meses desde que foi confirmado o primeiro caso de Covid-19 no Estado. Em Presidente Prudente, capital do oeste paulista, o vírus está oficialmente em circulação desde que, em 4 de abril, confirmou-se o primeiro contaminado. Desde as duas datas, praticamente todo o Estado e toda a região registraram casos. A única exceção é Santa Mercedes, cidade de 3 mil habitantes, na microrregião de Dracena.
Ao lembrar dos seis meses de pandemia no Estado, o governador João Doria (PSDB) pontuou que Santa Mercedes é o único município de São Paulo que não registrou nenhum caso até então. O número “zerado” surpreende, visto que todos os municípios limítrofes de Santa Mercedes já tiveram contaminados: Pauliceia (27), Panorama (90), Ouro Verde(16), Tupi Paulista (121), Nova Guataporanga (13), São João do Pau d'Alho (1). Os dados são de ontem, data em que Santa Mercedes possuía sete casos suspeitos aguardando resultado de exame.
Protocolos são rígidos
Os motivos do número que se destaca entre as cidades de todo o Estado, explica a secretária de Saúde de Santa Mercedes, enfermeira Carla Priscila Alves Braga, 37 anos, não são tão fáceis de decifrar, mas ela crê que faz parte de um processo de remodelação da atenção básica da cidade, iniciada em 2017.
A cidade, de exatos 2.944 habitantes registrados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), pelo tamanho pequeno, permite que a ESF (Estratégia de Saúde da Família) conheça com exatidão as famílias cadastradas, o que permite uma taxa de 100% de eficácia e cobertura. Com a pandemia, a secretária conta, agentes de saúde visitam uma ou duas vezes por semana cada família, levando orientações e informações, de forma que a população entenda a nova doença e a forma de se precaver.
A monitoração é tão frequente que, conforme Carla, a municipalidade consegue notar precocemente mudanças de território, chegada de novas famílias, mudança de endereços. A preocupação com a chegada de novas famílias existe pela existência de diversas usinas sucroalcooleiras nos arredores de Santa Mercedes. Nos períodos de safra da cana, muitos trabalhadores vêm de fora e utilizam os serviços de saúde da cidade.
Quanto ao fluxo diário de pessoas para dentro e fora da cidade, este não preocupa a secretária municipal de Saúde. Segundo ela, 50% da população, aproximadamente, é composta de funcionários públicos do próprio município, a outra metade é composta de aposentados, o que não provoca grande fluxo de trabalhadores para municípios vizinhos.
Também para utilização de serviços de comércio, a cidade, desde o início da pandemia não tem recebido o mesmo fluxo de tempos anteriores, quando cidadãos de cidades vizinhas viajavam para utilizá-los, visto que, por decreto municipal, mais rígido que o do Estado, mesmo na fase laranja do Plano São Paulo, só estão abertos na cidade os comércios essenciais como mercados e farmácias. Até as celebrações religiosas presenciais e feiras livres continuam proibidas por lá.
“Nos primeiros 15 dias de quarentena, treinamos agentes de saúde e focamos o trabalho em convencer as famílias de que os profissionais não são veículos transmissores, pois seguem todas as regras da OMS [Organização Mundial de Saúde], não entram nas casas, conversam do portão. Desde então, estas visitas foram bem recebidas”, garante Carla.
Depois disso, ela ressalta, redefiniu-se o fluxo de pacientes nas unidades de saúde do município, de modo a evitar contaminações nesses ambientes; foram, nestes locais, disponibilizados dispensers de álcool em gel 70% ativado com os pés, para evitar contaminação com as mãos, e tapetes sanitizantes; iniciou-se protocolos semanais de desinfecção do teto ao chão das unidades de saúde por profissionais capacitados; e, desde abril, formou-se um grupo de quatro fiscais Covid: funcionários efetivos que foram realocados para fiscalizar os comércios e afins nos períodos da manhã, tarde e noite.
“Se estes são os únicos segredos para sermos o único município do Estado livre da Covid-19, eu não sei, mas me sinto orgulhosa de estar à frente desta equipe”, ressalta a secretária.
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